Padronização dos Presets de Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico (CBCT) no Sistema Elekta XVI para Otimização da Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT)
DOI:
https://doi.org/10.15392/2319-0612.2026.3027Palavras-chave:
Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico (CBCT), Elekta XVI, otimização da qualidade de imagem, redução de dose, padronização em IGRTResumo
A Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT) depende de sistemas de imagem precisos para garantir o posicionamento adequado do paciente e a localização exata do alvo tumoral. A Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico (CBCT), integrada à plataforma Elekta XVI, possibilita a aquisição de imagens volumétricas com visualização de tecidos moles; no entanto, a qualidade da imagem e a dose ao paciente dependem fortemente dos parâmetros de aquisição ou “presets”. Este estudo apresenta uma metodologia abrangente para a padronização dos presets de CBCT no sistema Elekta XVI, visando otimizar a qualidade da imagem, a precisão geométrica e a dose de radiação, de acordo com o princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable). Foram avaliadas sistematicamente dezoito configurações de aquisição, variando-se o potencial do tubo, a corrente, o tempo de exposição, a filtração, a colimação, a velocidade do gantry e o número de projeções. A dose de radiação foi medida com uma câmara de ionização calibrada, enquanto a qualidade da imagem foi analisada por meio do fantoma Catphan 503 utilizando o software PyLinac, quantificando uniformidade, razão contraste-ruído (CNR), resolução espacial (MTF) e precisão geométrica. Os resultados mostraram que o potencial do tubo (kV) foi o principal fator que influenciou a uniformidade da imagem (ρ = 0.674, p = 0.0229) e o contraste (ρ = 0.676, p = 0.0225), enquanto a dose variou linearmente com a corrente e o tempo de exposição. A filtração tipo bow-tie (F1) reduziu a dose central em aproximadamente 25% e melhorou a CNR. A precisão geométrica manteve-se dentro de ±1 mm para todos os protocolos. Com base nessas relações quantitativas, foram estabelecidos presets clínicos padronizados para diferentes sítios anatômicos (Cabeça e Pescoço, Tórax, Próstata e Pelve), combinando maior potencial de tubo com menor produto mAs, equilibrando penetração de fótons, contraste da imagem, tempo de aquisição e eficiência de dose. Este trabalho demonstra que a padronização quantitativa e baseada em dados dos presets de CBCT aprimora simultaneamente a segurança e a precisão na prática clínica diária de IGRT, além de oferecer uma base sólida para futura integração em fluxos de radioterapia adaptativa.
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