Uma visão geral do uso de metodologias de análise de risco em instalações de radioterapia no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.15392/2319-0612.2026.3026Palavras-chave:
radioterapia, proteção do paciente, metodologias de análise de risco, SEVRRA, FMEAResumo
O aumento da incidência de câncer e os rápidos avanços na tecnologia usada em radioterapia elevaram significativamente a complexidade dos processos de tratamento, tornando necessária uma infraestrutura robusta e protocolos de segurança. Este estudo avaliou a implementação de metodologias de análise de risco em instalações de radioterapia no Brasil por meio de uma pesquisa nacional envolvendo 196 centros, com 111 respostas (57%). Os resultados mostram que o Sistema de Avaliação de Risco em Radioterapia (SEVRRA) é a ferramenta predominante, aplicada em 86,5% das instalações, enquanto a Análise de Modos de Falha e Efeitos (FMEA) permanece limitada (7,2%), com apenas uma pequena fração utilizando ambas. A adoção tem sido desigual entre as regiões, com o Sul e o Sudeste concentrando a maioria das instalações, recursos tecnológicos e técnicas avançadas de tratamento, como IMRT, VMAT e SRS, enquanto o Norte e o Centro-Oeste apresentam menos centros e menor diversidade de metodologias. O pico de implementação ocorreu entre 2017 e 2021, especialmente em 2019, influenciado por normas regulatórias e recomendações internacionais. Os físicos médicos (69,4%) e os Supervisores de Proteção Radiológica (27,9%) são os principais profissionais responsáveis pela aplicação da análise de risco, embora persistam questões relacionadas ao cumprimento regulatório. Apesar de barreiras como limitações de carga de trabalho e treinamento insuficiente, a integração das práticas de análise de risco fortaleceu os protocolos de segurança e a gestão da qualidade, ressaltando sua importância na minimização de riscos e na proteção do bem-estar dos pacientes ao longo do tratamento radioterápico no Brasil.
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